Meu primeiro intercâmbio: Nova Zelândia

LauraLaura

Morar fora sempre foi um sonho meu, talvez porque eu e Lívia começamos a viajar e a vivenciar outras culturas muito cedo. Fazer isso, mesmo que por curtos períodos de tempo (como viagens de 15 dias), sempre foi alucinante. É muito aprendizado, muita história.

Andar nas ruas e simplesmente não conhecer ninguém, para mim, não tem preço. Talvez um trauma por ter nascido e crescido em cidade pequena, mas sempre busquei sair da mesmice. Não foi fácil convencer a minha mãe, até porque eu tinha apenas 16 anos. Venci pelo cansaço, mas acho que hoje ela vê aqueles seis meses que morei fora como aprendizado e crescimento.

A ideia inicial era ir pra Irlanda. Havia ido uns três anos antes e me apaixonei pelo país. Tentei me inscrever em todas as escolas possíveis, mas a crise de 2008 afetou um pouco o país e eles acabaram se fechando para receber intercambistas.

Era 2009, uma das minhas melhores amigas estava indo pra Nova Zelândia. Cara, eu não fazia noção do que era aquele lugar. Eu sei que eu sempre quis ir para um lugar frio. Nossa, como eu odeio o calor! Bastou ela me falar que lá era o país dos esportes radicais e eu pensei: “fechou, é nóis!”.

Foram pesquisas atrás de pesquisas e eu finalmente achei o lugar onde ir: Christchurch.

A pequena Inglaterra na Oceania. Que cidade linda! Os meses demoraram a passar, eu só queria que chegasse logo o dia de ir!

Dia 17 de julho de 2009: New Zealand, here I am! Tudo parecia uma festa, conhecer uma galera nova, gente do mundo inteiro, pegar fluência no inglês, comer coisas diferentes, house parties e muito mais. Até que, a ficha caiu. E não foi quando a minha host mom me buscou no aeroporto, mas sim quando eu cheguei em uma casa e fui dormir em um quarto que não era o meu. Foi passar a noite em claro pensando “shit got serious”! Afinal, eu estava do outro lado do mundo e não conhecia ninguém. Só conseguia me perguntar: “O que eu tô fazendo aqui?”.

Segunda-feira chegou, dia de ir para escola. Pior dia vida. Eu, logo eu, em uma escola de religião protestante, com um bilhão de regras e uma necessidade de estar com o uniforme impecável.

Como assim, não podia piercing? Sim, tive que tirar todos os meus piercings. Esmalte, maquiagem, cabelo colorido? Nem pensar. Foi uma semana de chororô.

Era levantar na sala de aula quando o professor entrava, até que ele autorizasse a sentar de novo. Era tomar uma detenção porque um fio de cabelo estava solto. Cara, eu estava me sentindo na ditadura. Me restaram duas opções: ir embora e botar tudo a perder ou me adaptar e aproveitar. Fiquei com a segunda opção!

Os seis meses voaram, me renderam muitas risadas, o inglês fluiu de forma inesperada. Aprendi a burlar as regras da escola sem ser pega (sorry, mom), aprendi a entrar nas boates sem documento, aprendi a cozinhar e engordei 10 quilos, ganhei amigos pra vida inteira.

Se vocês tiverem a oportunidade, agarrem! No final, a gente só se arrepende daquilo que não fez.

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